" As cerejas " de Lygia Fagundes Telles


No conto fala de Júlia que corria de um lado para o outro, procurando auxiliar a Madrinha alvoroçada organizava a casa, cuidando de todos os detalhes, para receber a visita da Tia Olívia (sua prima). Dionísia, a cozinheira, desdobrava-se com as novas receitas para agradá-la. Com um galho de cerejas ornamentando o decote, a vaidosa tia Olívia,  abana-se com uma leque chinês, incomodada com a temperatura do local. Júlia ficara encantada . Só conhecia cerejas nas folhinhas. Marcelo, outro membro da família. Elegante, porém crítico e esnobe, parente Alberto, marido da Madrinha, chegara antes dela para passar as férias. Ele e a tia Olívia destacavam-se como alguém superior, especial. Ambos tinham estado na Europa. Ela falava e andava devagar com uma voz mansa de um gato manhoso e preguiçoso. Os dois pareciam se estranhar ou havia algo de oculto no ar.
        Certo dia, cai um temporal muito forte, deixando a casa em trevas. Em meio de um relâmpago deixou a casa na escuridão, Júlia visualiza dois corpos tombando enlaçados em um quarto que provavelmente era Tio Olivia e Marcelo. Surpresa e cambaleante recolhe-se assustada. Chorava como criança. Ficou doente. No dia seguinte, o Marcelo foi embora. Dois dias após, a tia Olívia vai também. Ao se despedir, como para se redimir com a ingênua menina, deixa-lhe carinhosamente o galho de cerejas de lembrança; pois despertava-lhe curiosidade e encanto. 
Lygia Fagundes Telles nasceu no dia 19 de abril de 1923 em São Paulo. Hoje com 90 anos. Escreveu vários contos, crônicas, romances etc. 

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